Sua música começou como se fosse me convidar para dançar. Era um dia lindo de sol e o céu estava magnífico, sem muitas nuvens — mesmo assim, eu não conseguia expressar nenhum sorriso. Assim que ouvi sua voz dizendo “Perto”, aumentei o volume da Alexa na sala e sentei no sofá. Havia um silêncio ensurdecedor em casa, nem os carros lá fora faziam barulho.
Hoje vou falar sobre uma descoberta do ano passado. Já escrevi vários textos sobre o que senti ouvindo sua música “Perto”, mas nenhum foi capaz de dizer o quanto Vinicius Braz me fez pensar de forma diferente sobre a vida que vivi — os meses angustiantes e paralisantes depois de um caos silencioso.
Vinicius canta como se revelasse um segredo. Ele descreve com precisão o que sentimos e como isso pode mudar nossa vida de uma hora para outra. Você procura forças onde nem imagina e não consegue chegar onde pretende. São várias quedas. Não conseguir se manter em pé… quando achava que estava conseguindo, vinha uma queda ainda maior. E a gente tenta muito aprender com o tempo, um dia após o outro, e cada percepção vira uma vitória. Cada sentimento bom é comemorado. Foi assim que me senti até conseguir chegar até aqui.

A vitória é inexplicável, mas o medo ainda me assombra às vezes. Tento não pensar sobre o medo. Ouço várias vezes “Perto”, como se um amigo estivesse me dizendo tudo o que vivi e superei. Vinicius Braz é um poeta dos sentimentos — foi certeiro nas palavras. É como se ele estivesse dentro do coração de cada pessoa que já passou por isso. É magnífico ver e ouvir uma composição que descreve algo que sentimos, seja na dor ou no amor.
A escolha de “Perto” como o primeiro single da sua carreira solo é simbólica. Integrante da banda Espinoza no Rio de Janeiro há anos, o cantor conta que a faixa representa um diário íntimo da depressão e, ao mesmo tempo, o ato de tomar coragem para seguir na carreira solo: “As coisas ficam muito mais pessoais quando se coloca o seu nome. Depois de muito tempo de experiência com bandas, decidi e consegui, enfim, tomar coragem para criar um projeto solo. Algo que tenho vontade faz muito tempo: ter autonomia no processo criativo”.
Essa busca por independência surgiu também da necessidade de explorar batalhas internas como a depressão: “Quero despertar identificação e empatia, a despeito das miragens projetadas em redes sociais. Eu quero que quem escutar sinta que é perfeitamente normal passar por guerras interiores, se sentir frágil e imperfeito. Não vale a pena viver refém das idealizações que os outros criam sobre quem você é e como deveria agir. Parece óbvio e talvez seja mesmo, mas tem sido cada vez mais fácil perder a conexão com nosso interior e com o que realmente importa”, afirma o cantor.
“Perto” combina essa intensidade com elementos da música pop alternativa. Como produtor do single, Vinicius Braz quis transmitir esse contraste: “Eu quis trazer um tom melancólico guiado por bateria e sintetizadores, que dão um senso de urgência. Mas também coloquei elementos que remetem a esperança e alívio. Tem nos versos violão e baixos pulsantes acompanhados por rhodes, que têm um contraste com uma bateria mais swingada”.
Além da ajuda de antigos colaboradores – incluindo Viviane Franco, parceira da banda Espinoza, nos teclados e synths –, o cantor se voltou às suas próprias referências musicais, como Damon Albarn, Radiohead, Cícero e Milton Nascimento: “Quero diluir peculiaridades em música pop, no sentido de música assobiável, de direta assimilação, straight to the heart. Mas pensando sempre pra frente, em trazer algo novo”, conta.
Criado em Bangu, zona oeste da capital fluminense, Vinicius Braz começou na música aos 14 anos. Segundo ele, o bairro está presente de diversas maneiras em sua obra, inclusive no futuro.
As fotos do projeto são de Eduardo Pratts. Já a direção do clipe fica por conta de Bruno Soares.
Então, siga e acompanhe o cantor em suas redes sociais, fique de olho nas novidades e ouça muito suas músicas nas plataformas digitais!
Vinicius Braz
https://www.instagram.com/viniciusbrazmusica
