Preciso falar sobre Tayob J. e o álbum “A Beleza do Erro”. Uma das minhas descobertas favoritas neste ano com toda certeza foi o Tayob J. Seu novo álbum me conquistou de tal forma que não sei me expressar sem chorar aqui no sofá da sala com o caderno no meu colo. Sinto que o álbum dele é a materialização de várias tentativas de um sonho; de um sonho no qual só ele acreditou, até achar pessoas que realmente acreditassem também e pudessem criar algo tão magnífico que nos falta palavras.
“A Beleza do Erro” me fez pensar em várias coisas em minha vida, em vários momentos em que fui lembrada de que eu era um erro, de que tudo o que fiz foi um erro e em todo o julgamento que ouvia das pessoas que sempre amei e das pessoas que sempre admirei. O álbum me fez sentir acolhida. Chorei e pensei nas vezes em que quase desisti; me fez lembrar de quantas vezes tive que me reviver e de como eu chegava com falta de ar pela correria. Eles não sentiram o que senti, eles não sofreram o que sofri e eles não apanharam o que apanhei. Ouvir dizer que não sei o que é sofrimento por causa do meu sorriso… Se soubessem o tanto que já sangrei para estar aqui! E sabe o que me salvou? Foi a música.

Pessoas que nunca vi na vida deram mais valor a mim do que pessoas que diziam que me amavam; pessoas que eu não conhecia acreditavam em mim e me ajudaram a me erguer, me entenderam, me abraçaram mesmo com todos os ferimentos que eu carregava no meu corpo. Foi a música. Sua música me fez sentir que estava viva novamente; foi sua música que me fez seguir em frente e não parar de acreditar que o que faço realmente faz sentido para aqueles que precisam ouvir ou ler, para aquecer os corações de quem me faz bem através de canções. E foi a sua música que me trouxe até aqui.
É um álbum que vem com participações muito especiais, mas, no meu ponto de vista, quem realmente faz toda a diferença é quem idealizou e, principalmente, acreditou e fez acontecer. Me jogo no chão da sala e choro, não sei se é de felicidade ou de tristeza, só sei que é um choro que faz meu peito realmente ficar leve, e no fundo o Tayob J. me acompanha. Seu álbum está comigo, eu respiro fundo e entendo que o choro é necessário para seguir em frente e continuarmos acreditando que a beleza daquele que é um “erro” para os outros, para a gente é uma obra-prima. E assim ele me convence a continuar.
Nascer e crescer em uma cultura singular não foi o caso de Tayob J. O produtor, compositor e multi-instrumentista português é fruto de uma miscigenação entre Brasil, Polônia, Índia e Moçambique. O sangue miscigenado que corre por suas veias é o mesmo que fez com que o artista entrasse no estúdio e gravasse um álbum que traduzisse a sua identidade musical. A construção de “A Beleza do Erro” levou quatro anos e reúne grandes nomes como Criolo, Projota, Vitão, Rashid, Amaura (Portugal), Xullaji (Cabo Verde/Portugal), Sir Scratch (Angola/Portugal) e outros. O resultado é uma obra-prima, um disco necessário para todos ouvirem.

Há 15 anos Tayob J. é mestre em produção, assinando trabalhos de vários artistas. Seu álbum de estreia surge da vontade não só de fazer algo seu ou apresentar a sua forma de ver a música, mas também de juntar ídolos e amigos que compartilham das mesmas ideias, conceitos e ideologias. “A Beleza do Erro” é a amostra do seu DNA através das apresentações e da estética do rap, do soul e do jazz. Da metade do álbum para o final, também é possível observar em algumas canções os estilos se encontrando com referências de pop, de música indiana e palestina.
“O nome do disco se refere ao fato de eu ter insistido desde o início numa linha estética que era fora do convencional e que previa um caminho mais longo. E este disco é uma materialização dessa visão de que o que podia ser um erro, no final, pode ser algo bonito e artístico”, destaca Tayob J.
O trabalho atravessa oceanos unindo pessoas de diferentes pontos do mapa-múndi e contribui com a cultura da música urbana, como uma forma de agradecimento e continuidade da carreira já de destaque do produtor.
“Acho que apresentar a minha arte para o Brasil vem mais num lugar de continuidade natural de um crescimento meu. Também a minha arte merece que eu a leve para onde ela de alguma forma pertence”, completa o artista.
O papo está ótimo, mas você está preparado(a) para ouvir o álbum? Aumente o som e aperte o play!
