Eu ainda não superei o álbum “Pelo Céu e o Inferno das Coisas”. Quando a canção “Pausa” chegou, meu mundo parou e junto com ele veio um choro carregado de sentimentos que não sabia que ainda estava guardando aqui dentro de mim. O coração apertou, o ar tinha dificuldade de sair e o choro insistia em continuar. A calmaria da música e a voz do cantor Lean tomava conta da sala e, mesmo com a luz baixa, o que vinha era só o choro sem controle. Tentava respirar fundo e não vinha. Eu sabia que todo o sentimento de tristeza estava saindo de mim. Eu, às vezes, tenho dificuldade de pausar, mas às vezes é necessário para nos libertar e para aliviar a alma. E foi assim que me senti depois da música “Pausa”: uma calmaria, um sono leve e o aperto do peito foi embora junto com o choro de horas.

“Passos e mais passos” essa música me faz pensar em uma Marina antiga, nas minhas antigas qualidades. Algumas ainda carrego e algumas mudaram com o tempo, mas essa música me faz pensar em como eu amadureci e como eu mudei para melhor, mesmo com as dores da vida. E ainda preciso amadurecer alguns pensamentos, principalmente sobre eu mesma, mas diante da poesia que Lean nos apresenta, sua canção demonstra que cada passo que damos para nossa evolução é necessário para poder crescermos e que precisamos também olhar e nos orgulhar da nossa evolução como pessoa.
A música “Pode ser que eu vá” é a vida do paulistano, eu digo de São Paulo, porque é onde eu moro e a nossa vida aqui é assim, nossa vida aqui é sempre um “pode ser…”. Nunca temos muita certeza, diversas coisas podem mudar no caminho. E eu sou a pessoa que chego de surpresa, nunca dou certeza, porque estou em São Paulo e tudo pode mudar nos 5 minutos antes da hora que combinei com você. Inclusive, essa música eu mandei para minha amiga quando ela me fez um convite. Eu acabei não indo, mas eu avisei de forma artística. Ela achou graça e rimos juntas. Quando será que a música será cantarolada novamente?!
“Truco e Zap” é minha música para ouvir fora de casa, porque eu imagino o cenário com o ambiente que estou e realmente faz todo o sentido com as minhas andanças por São Paulo. Junto com elas carrego minha pressa e minhas dúvidas se vou ou não, se fico ou não. E assim carrego a música como trilha sonora fora de casa. Sem medo eu chego em um destino que um abraço apertado espero encontrar.

A última música “Me Carregar Daqui” é uma música que me faz querer ficar deitada no chão da sala. E eu entendo o que ela diz, os sentimentos que ela descreve eu os reconheço e talvez por isso surgiu essa amizade entre eu e a canção. Ela descreve algo que passou ou algo que estou vivendo, ainda não sei, só sei que reconheço o que ela quer dizer e por isso quero ficar aqui quietinha no chão da sala só ouvindo e cantando baixinho deitada no chão da sala.
Resumo final: no meu ponto de vista, o álbum não é para você e sim para sua alma. Você vai reconhecer sentimentos, talvez chore como eu chorei e no final vai sorrir porque muitas coisas passam e você continua aí, tentando e vivendo. E essa é a graça da vida: viver o hoje, sorrir hoje e ver a melhora como pessoa hoje.
“Pelo Céu e o Inferno das Coisas” é o marco do início de uma nova fase na trajetória do cantor e compositor Lean. O álbum foi coproduzido por LAN Santos e Lean, em parceria com Lemid Records e Symphonic. O projeto aprofunda a assinatura artística do músico, reconhecido por seu timbre de voz rouco e característico e pela capacidade de traduzir emoções complexas em canções sinceras e envolventes. Mais maduro artisticamente e com uma sonoridade que transita entre o pop, o indie, rock alternativo, a MPB e a música urbana brasileira, o álbum mergulha nos dilemas internos e externos do início da vida adulta — um território onde o encantamento e a exaustão caminham lado a lado. Acho que o álbum navega nuances da vida adulta de forma linda e ao mesmo tempo cansativa.

Entre a leveza e o caos, as faixas se revelam como retratos de uma geração em movimento: ora solares, ora introspectivas, com poesias leves e arranjos que equilibram o atual e o vintage. O resultado é um disco que convida à escuta e à lembrança — um retrato sensível das contradições que moldam o amadurecimento e o existir jovem adulto. Lean assina todas as composições e interpretações, além de coproduzir, também toca violões, guitarras, baixos, teclas, gaita harmônica, synths e samples. LAN Santos responde pela coprodução, direção artística e também atua como músico em teclas, guitarras, synths, samples e beats.
O time técnico e musical se completa com Zep Mix (mixagem e masterização), Ramon Magno (gravação e edição de voz), Fran Marcondes (gravação de bateria), e os músicos Caio Gomes (Bateria), Felipe Souza (Teclados), Loobas (Bateria), Pedrinho Costa (Trompetes), Jean Machado (Violões) e João Gabriel Fonseca (Teclados). Gravado em Lemid Records, Casa de Ferreiro, o Espeto é Ferraz e Base CO. São Paulo/SP, 2025.
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