Entrevista com rapper Petrilli.

Suas letras me fazem pensar e até reviver sentimentos antigos, me fazem questionar algumas coisas, seja do presente ou do passado. Minha imaginação vai longe com suas letras, me arrisco a dizer que crio um filme com o que ele tem para dizer.

Tive a honra de conversar com o rapper Petrilli, saber mais sobre suas influências musicais e seu processo de composição. Para quem ainda não o conhece, após alguns scratches, o rapper solta suas rimas, que falam sobre as vivências diárias. Petrilli é um artista que deixou a cidade de Jaú, no interior do estado, em busca do sonho de viver da música.

Aos poucos, o artista vem ganhando espaço na nova cena do rap nacional. Vamos parar de enrolação e conferir a entrevista? Vem comigo!

Petrilli, estamos felizes por você conceder a entrevista, é honra ter você aqui no site Maah Músic. Para começar essa entrevista, queremos fazer uma pergunta que já é clichê por aqui: o que a música representa na sua vida?
A música é que nem arroz e feijão: necessária. Acompanha a gente todo dia, e tem diversas formas de se “preparar” igual o arroz e feijão, ela nutre todos os gostos. Para quem faz música, ela também é arroz e feijão. Até porque, o “cozinheiro” também tem que comer, mas ele não cozinha só para ele, nem só para alimentar os outros, ele se alimenta, também, quando alimenta os outros. E outra coisa sobre música e arroz e feijão, é que é algo cultural. O jeito de mexer, o jeito de cantar, os ingredientes, as palavras, os temperos, as melodias, tudo isso carrega também a história de quem faz.

O título da sua nova música é bastante direto: “Não sou um artista Pop”. O que te motivou a fazer essa afirmação de forma tão clara neste momento da sua carreira?
O fato de que é verdade a afirmação: eu não sou um artista Pop. Eu admiro muito a música Pop, e acho que ela tem muito valor na sociedade. Mas a música Pop é passageira, na maioria das vezes. Ela segue uma métrica de mercado voltada principalmente para o lucro, e esse não é o tipo de música que eu faço. Se algum dia minha música se tornar “Pop” vai ser pelo fato de que o mercado mudou o conceito sobre Pop, e não que eu mudei meu conceito sobre música.

A faixa é um boombap, um estilo com raízes profundas no hip-hop. Por que você escolheu essa sonoridade específica para transmitir a mensagem de “Não sou um artista Pop”? Como foi a parceria com o produtor Noturno.84 na criação desse som?
Independente do gênero da batida, se você se conectar com ela, já era. E quando eu ouvi essa batida do meu mano Noturno, eu já comecei a rimar de imediato. É raro mas acontece sempre. E sobre ser boom bap, eu acho que me sinto mais à vontade nesse gênero, pois ele tem essa pegada mais voltada para ideologia, dia-a-dia da periferia, em buscar paz e progresso em meio ao corre louco.

Você menciona a frase do Emicida, “vender o som e não fazer o som que vende”. Como você equilibra a necessidade de alcançar um público maior e se manter fiel à sua identidade artística, sem ceder às pressões do mercado pop?
Acho que como o Emicida disse: “A sociedade vende Jesus, por que não ia vender rap?”. O rap já é comercializado. Seja um rap mais pop, ou um mais fiel a identidade. Ou seja, não precisa ser necessariamente pop, para fazer sucesso. O segredo é acreditar no processo.

Você tem uma presença forte nas batalhas de freestyle. Como a cultura das batalhas influencia seu processo de composição e sua performance nos palcos?
Hoje em dia estou meio ausente das batalhas por conta da correria, mas elas de fato te moldam como artista. Eu quase não escrevo, literalmente, as minhas letras. A maioria eu fico “escrevendo” na minha cabeça e acho que isso vem um pouco do freestyle. E a presença de palco, com certeza ajuda, porque se você não tiver presença na batalha, provavelmente vai ser engolido pelo oponente.

Seus números no Spotify são expressivos, com mais de 1 milhão de plays e uma média de 70 mil ouvintes mensais. Como você enxerga esse sucesso nas plataformas digitais, especialmente para um artista que se posiciona fora do mainstream pop?
Como eu disse anteriormente, existe muito rap (e também outros gêneros) que alcançou o mainstream mas não é Pop. Ser um artista Pop, tem a ver com a música que você faz e não com o público que você alcançou.

No seu Instagram, vemos uma conexão forte com seus fãs. Qual o papel das redes sociais na construção da sua carreira e na divulgação de um som que, segundo você, não é feito para vender?Indispensável. Hoje em dia a nossa forma de se relacionar com as pessoas (artistas, amigos, familiares, etc.) é pela rede social, consequentemente, a forma de você expor o seu trabalho, também é influenciada por isso.
E meu som é feito para vender também, mas a preocupação de vender ele, vem depois que ele está feito. Eu não faço ele analisando o Top 50 Brasil, e tentando encaixá-lo lá. Mas depois que eu faço ele, eu faço o máximo para divulga-lo e fazer com que ele chegue lá.

Olhando para o futuro, quais são seus próximos passos? Podemos esperar um álbum completo em breve ou você pretende continuar na estratégia de lançar singles?
Até o fim desse ano, apenas singles. Em janeiro do ano que vem, lançaremos um EP e também no ano que vem um Álbum. Ano que vem promete!

Além de Emicida, quais outros artistas, dentro e fora do rap, te inspiram a seguir seu próprio caminho na música?
Gosto muito de Djonga, Criolo, Sant, Rincon, BK’ e mais um monte que para mim segue firme no que acredita.

Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores do Maah Music e para os artistas independentes que também buscam seu espaço sem abrir mão de sua essência?
Esquece o resultado, foca no trampo. Foca no que precisa ser feito e no que dá para ser feito. Beba água, coma frutas e fecha com quem fecha.

Que entrevista insana, né? Eu amo um bate-papo com os artistas, sempre saio com uma nova visão sobre a arte em si. Lembrando que tem muita música boa para vocês ouvirem nas plataformas digitais. Tem “Janela Aberta”, com Spvic e Cleópatra, e o single “Não Sou um Artista Pop”, um boombap com produção musical de Noturno.84, no qual o artista imprime suas rimas e reflexões.

O rapper Petrilli quer deixar sua marca no mundo com sua arte: vender o som que faz, e não fazer o som que vende. Com seu próprio estilo, o artista segue compondo, participando de batalhas de freestyle e fazendo shows.

E outra dica para vocês é seguirem o artista nas redes sociais. Ele sempre interage com seus seguidores e é bom para acompanhar as novidades.

Instagram: @petrilli_mc.


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Maah Music

Sou Maah Music, apaixonada por música a ponto de torná-la tão essencial quanto respirar. O meu site tem como missão destacar a riqueza e a diversidade de bandas e artistas de todo o mundo. Aqui, você encontrará informações, entrevistas exclusivas, inspiração e muita diversão. Bem-vindos ao universo do Maah Music, onde a música é o centro de tudo!

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