Eu estou perdidamente apaixonada pela sonoridade dela. Suas músicas são abraços para a alma, são conselhos que precisávamos ouvir, e ninguém foi capaz de nos escutar quando a dor apertava nossos corações. Essa minha descoberta vale ouro, porque ela vai fundo nos nossos sentimentos com suas músicas e me faz pensar que entendi um pouco das dores que tive há algum tempo. E, junto com as dores, vem o sentimento de que tudo já passou e que podemos seguir em frente — por mais que as lembranças ainda voltem para assombrar, é necessário seguir e pensar que você foi forte o suficiente para continuar. Eu sei que não foi fácil, mas você conseguiu, sozinha. Um diálogo comigo mesma, em frente ao espelho, que me fez perceber que os detalhes da vida continuam bonitos.

Vamos falar sobre o novo álbum FLORECE da compositora argentina Guillermina Perrino, que mexeu bastante comigo quando escutei pela primeira vez, mas ao mesmo tempo me fez feliz por ouvir algo tão magnífico e tão marcante. É uma obra profundamente sensível e poética, lançada agora em julho de 2025. Composto por oito faixas instrumentais para piano, o disco mergulha em momentos de transformação pessoal vividos pela artista durante o ano de 2024.
Para essa prosa comigo mesma, me mencionei anteriormente, tive a sonoridade de Guillermina Perrino, que enche meu coração de esperança e me faz ver a vida de outra forma com seu talento. Ela foi uma descoberta divina que tive este ano. Suas músicas foram campainhas importantes e me ajudaram a me erguer. Às vezes, só precisamos de algo que nos encha de esperança, mesmo quando as coisas não estão tão bem quanto gostaríamos.
A primeira música que conheci foi Alud. É a primeira canção do próximo álbum de piano solo — uma composição original, nascida de um processo muito pessoal, inspirada na resiliência e na força silenciosa que descobrimos depois de sermos abalados. Esta música reflete sobre os “desastres naturais” emocionais pelos quais todos passamos — aqueles momentos que nos quebram e, de alguma forma, nos ensinam a levantar novamente, diferentes e mais fortes. Foi gravada com um piano de cauda, e você pode ouvir cada detalhe — o pedal, os martelos, a madeira. A artista conta que trabalhou com várias camadas de piano para criar uma atmosfera profunda e espaçosa, que parece ao mesmo tempo íntima e vasta. Apenas ela, o instrumento e tudo o que há entre eles.

Alud é uma jornada sonora por um colapso interno. Com ostinatos hipnóticos, arpejos fluídos e uma melodia delicada, a composição transita entre o caos e a calma, entre o que se desfaz e o que resiste.
A faixa foi gravada em um piano de cauda no estúdio Camarón Brujo, em Buenos Aires, com produção e mixagem de Nicola Carrara e masterização de Catu Suárez. Em busca de uma estética crua e íntima, a gravação captura a essência acústica do instrumento — os impactos dos martelos, a madeira rangendo, o sussurro do pedal. Composta inteiramente para piano, a faixa possui pelo menos três camadas sobrepostas de partes de piano, intensificando a experiência imersiva.
O lançamento também contou com a colaboração criativa de Laura Mendoza (direção de arte), Camila Rezk (fotografia) e Juan Cruz Retamozo (assistência de produção). Os visuais são inspirados na pintura barroca — tons escuros, cores saturadas e composição dramática — enquanto a capa contrasta com técnicas modernas de fotografia, representando o caos em movimento.
Alud foi a primeira amostra de um álbum conceitual inteiramente composto por peças instrumentais para piano. Cada faixa narra, por meio do som, diferentes momentos da transformação pessoal de Guillermina em 2024, quando enfrentou e superou o câncer de mama. Mais do que um retrato da vulnerabilidade, este álbum é uma afirmação de força: um caminho sonoro rumo ao que floresce após a tempestade.
O álbum traz características importantes e que chamam muita minha atenção. Cada faixa é uma narrativa sonora que mergulha na fragilidade e na força. A estética é delicada e honesta; as canções são cuidadosamente construídas para transmitir todo esse sentimento de uma força constante a quem escuta. É uma sensação de leveza no final — de que conseguimos. E não poderia deixar de mencionar o protagonista: o piano é explorado em camadas e texturas que mexem com nossas emoções mais profundas.
Vale a pena ouvir e acompanhar nas redes sociais, e tenho certeza que você, assim como eu, vai virar fã da compositora argentina Guillermina Perrino.
https://www.instagram.com/guilleperrino
